Apenas uma pequena porcentagem dos americanos — menos de 9% — compartilharam links para sites de fake news no Facebook durante a campanha eleitoral. Contudo, este comportamento foi desproporcionalmente comum entre pessoas com mais de 65 anos, revela estudo de pesquisadores do Laboratório de Participação Política e Mídias Sociais da Universidade de Nova York, em parceria com a Universidade Princeton.

— Apesar do grande interesse no fenômeno das fake news, nós sabemos muito pouco sobre quem realmente compartilha esses links — justificou Joshua Tucker, professor da Universidade de Nova York e coautor da pesquisa. — Este estudo dá o primeiro passo na direção de responder a essa questão.

O estudo foi conduzido com cerca de 1,3 mil participantes, que concordaram em instalar um aplicativo temporariamente para a coleta das publicações feitas no Facebook. O levantamento foi realizado em três momentos, entre abril e novembro de 2016, pela consultoria YouGov.

Dentre a amostra, apenas 8,5% dos participantes compartilharam links de sites de notícias falsas pelo Facebook. Notavelmente, na faixa etária entre 18 e 29 anos, apenas 3% tiveram esse comportamento. Em contraste, entre os idosos o percentual foi de 11%.

Segundo os pesquisadores, essa correlação com a idade parece estar descolada da afiliação ideológica ou partidária das pessoas. Entre republicanos e democratas, o percentual foi semelhante.

Falta educação digital aos mais velhos

A explicação para este fenômeno pode estar no fato de as gerações mais velhas não terem sido educadas para a segurança digital. Nascidas antes de 1953, essas pessoas já eram adultas quando a internet surgiu e muitas delas ficaram excluídas digitalmente até o surgimento dos smartphones. Em pouco tempo, elas foram engolidas por uma montanha de novas informações.

— Se os idosos são mais propensos a compartilharem notícias falsas que os mais jovens, então temos implicações importantes em como devemos planejar intervenções para reduzir a difusão de fake news — ponderou Andrew Guess, professor em Princeton.

Pelos resultados, “o ensino de educação digital nas escolas — desconsiderando quão benéfico ele pode ser para outras questões — não deve resolver a questão das fake news”, apontou Janthan Nagler, da Universidade de Nova York.

No resultado geral, os pesquisadores notaram que 18% dos republicanos compartilharam links de notícias falsas, contra apenas 4% entre os democratas. Porém, ressaltam os pesquisadores, a associação direta com a posição partidária pode ser enviesada pelo fato de a maior parte das notícias falsas terem sido produzidas pela campanha pró-Trump. 000

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