A praia do Horizonte, localizada nas margens do Rio Solimões, no Amazonas, é ponto de desova para centenas de quelônios, entre tartarugas-da-amazônia, iaçás e tracajás. A área é monitorada desde a década de 1990, com ações voluntárias de moradores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Agora, o projeto está ganhando apoio aéreo pelo uso de drones.

— Conseguimos ver perfeitamente os rastros de tartarugas-da-amazônia na areia, que do alto parecem marcas feitas por um tratorzinho. As marcas da iaçá, que é um quelônio de menor porte, também foram nítidas — comparou Marina Secco, do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios do Instituto Mamirauá. — Com o possível sucesso desses experimentos, esperamos em breve poder usar drones para contagem de ninhos.

O drone fez os primeiros sobrevoos na praia do Horizonte em setembro de 2018. Controlado de forma remota por um piloto, a aeronave realizou percursos aéreos a diferentes altitudes, filmando e fotografando com uma câmera de alta definição, o relevo da praia. A ideia, contou Secco, é identificar rastros de tartarugas na areia e, assim, chegar até os ninhos.

Os voos de teste foram realizados entre 11h e 14h, quando os raios do sol chegam à superfície em ângulos mais próximos a 90 graus, facilitando a visibilidade. Os melhores resultados foram gravados a 20 metros de altura em relação à praia. Os testes foram financiados pela Disney Conservation Fund, Rufford Foundation e pela WWF-Brasil.

— Uma das vantagens da tecnologia é reduzir o tempo gasto no monitoramento de uma única praia e distribuir melhor os esforços para encontrar novas áreas de desova nessa região — afirma a pesquisadora. — Em pontos de difícil acesso, também podemos usar os drones para fazer a contagem remota de ninhos dos quelônios.

Além das metas diretamente ligadas à conservação, a pesquisadora aponta que os veículos aéreos não tripulados podem ser úteis em estudos mais amplos sobre a ecologia de quelônios na Amazônia. A ferramenta tem potencial em levantamentos de altimetria em pontos de desova nas praias.

Os vídeos e as fotografias captados na praia do Horizonte estão agora sob a análise de uma equipe da Universidade da Flórida, parceira do projeto. Depois da avaliação dos resultados, a expectativa dos integrantes do projeto é que os drones possam ser integrados a projetos de conservação na região amazônica.

— A ideia é ver em que medida os pesquisadores de lá conseguem identificar os rastros de tartarugas e os ninhos nas imagens, qual a taxa de erro entre a contagem in loco e a contagem feita por eles nas imagens — explica Secco. ority49

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