Sementes de algodão, batata e canola brotam em sonda chinesa na Lua

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Fotografia tirada no dia 7 mostra pequenos brotos crescendo dentro de uma caixa selada enviada para a Lua / CNSA

Após realizar o primeiro pouso no lado oculto da Lua, a missão chinesa Chang’e-4 continua fazendo história na exploração espacial. Nesta terça-feira, a Administração Espacial Nacional da China (CNSA, na sigla em inglês) anunciou que sementes de algodão levadas a bordo da sonda não tripulada começaram a germinar. O feito é considerado um passo importante para planos de instalação de colônias humanas no satélite.

— É a primeira vez que os seres humanos realizam experiências biológicas na Lua — celebrou Xie Gengxin, cientista responsável pelo experimento.

Imagens divulgadas pela agência espacial chinesa mostram um pequeno broto de algodão crescendo numa placa coberta por um gel especial. A experiência, elaborada por pesquisadores da Universidade de Chongqing, consiste numa pequena caixa selada com 18 centímetros de comprimento, com água, ar e um pouco de terra, junto com sementes de algodão, canola, batatas, arabidopsis, leveduras e ovos de moscas-da-fruta.

O experimento foi batizado como “círculo microecológico da superfície da Lua”. O objetivo é observar como plantas e insetos se comportam no ambiente de microgravidade da superfície lunar. O professor Liu Hanlong informou que as sementes de algodão foram as primeiras a nascer, mas não disse quando o evento aconteceu. As sementes de canola e de batata também brotaram e estão se desenvolvendo bem.

— Nós consideramos a sobrevivência futura no espaço — afirmou Liu. — Aprender sobre o crescimento dessas plantas em ambiente de microgravidade nos permitirá erguer as fundações para o nosso estabelecimento futuro em bases no espaço.

O pesquisador explicou que a caixa foi equipada com um pequeno, mas poderoso sistema de controle que mantém a temperatura interna em torno de 25 graus Celsius. Segundo Liu, as seis espécies foram cuidadosamente escolhidas para se comportarem como “produtores, consumidores e decompositores”, formando um ecossistema em miniatura completo. As plantas produzem oxigênio e alimento pela fotossíntese para as moscas. As leveduras, como agente de decomposição, processam os dejetos das moscas e das plantas mortas realimentando o sistema.

Além disso, as espécies vegetais são importantes para a exploração futura. A batata serve como alimento, o algodão serve para a tecelagem e a canola pode gerar óleo e biocombustíveis.

Não é a primeira vez que vegetais são cultivados no espaço. Na Estação Espacial Internacional experimentos do gênero estão em andamento e já fornecem alimentos frescos para astronautas. Contudo, é a primeira vez que o feito acontece na superfície da Lua, local provável para a primeira instalação de uma base permanente fora da Terra.

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