Os pinguins imperadores nascem numa das regiões mais inóspitas do planeta: o mundo congelado da Antártida. A primeira fase da vida é difícil e dura cerca de cinco meses. Depois disso, eles são deixados pelos pais para se virarem sozinhos. Um estudo inédito do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, em Massachusetts, revela detalhes desconhecidos do comportamento nos meses mais críticos da vida desses animais, quando deixam suas colônias e aprendem a nadar, mergulhar e encontrar comida.

O estudo publicado nesta semana no periódico “Marine Ecology Progress Series“ destaca a conexão única entre os primeiros mergulhos dos pinguins imperadores e uma camada do oceano conhecida como termoclina, uma região onde as águas superficiais mais quentes se encontram com as águas profundas, mais frias. É lá que suas presas se reúnem em grupos.

Para a pesquisa, 15 filhotes de pinguins foram marcados antes de deixarem suas colônias em Terra Adélia, durante trabalho de campo em dezembro de 2013, época do ano em que o clima começa a esquentar e o gelo, a derreter, criando áreas de mar aberto perto das zonas de reprodução.

Foram selecionados animais saudáveis, com maiores chances de sobrevivência. Os marcadores registraram os movimentos dos animais e transmitiram dados de profundidade de mergulho e localização por satélite. Ao todo, mais de 62 mil mergulhos foram registrados.

Os dados revelam que no início, os pinguins se moveram em direção ao norte, para alcançar áreas de mar aberto e águas mais quentes.

— Isso acontece quando eles estão aprendendo a nadar — explicou Sara Labrousse, pós-doutoranda no Instituto Oceanográfico de Woods Hole e líder das pesquisas. — Não é algo que seus pais ensinaram. Quando eles começam a entrar na água, são muito desajeitados e inseguros. Não são nadadores rápidos e graciosos como os pais.

Stephanie Jenouvrier prepara um pinguim imperador de cinco meses para marcação /
Instituto Oceanográfico de Woods Hole

Quando os pinguins imperadores se tornam nadadores mais experientes, deixam de ir para o norte e rumam para o sul, em direção aos campos de gelo, com água do mar congelada. É lá onde passam os meses do inverno, fazendo mergulhos mais profundos.

— Isso é algo que nos surpreendeu, porque nós não sabíamos quanto tempo eles passavam nos campos de gelo — comentou Labrousse. — Eles passam a maior parte do inverno mergulhando em áreas de água congelada.

No outono, ainda antes da chegada do inverno, os dados mostraram que os pinguins faziam mergulhos mais profundos. A explicação é que, nessa época do ano, o termoclina se torna mais profundo e, junto, vão as suas presas, peixes que se alimentam no krill que se concentra nessa região do oceano.

Dos 15 animais marcados, dois deixaram de enviar dados no primeiro dia de mergulho. Outro parou após 31 dias. Os marcadores nos outros 12 pinguins duraram entre 86 e 344 dias. Contudo, diz Labrousse, não é possível afirmar se algo aconteceu com os animais ou com os marcadores.

Os pinguins imperadores são a maior espécie de pinguim. Apesar do tamanho e do porte físico, eles são particularmente vulneráveis às mudanças climáticas, porque seu ciclo de vida é dependente dos campos de gelo. A temporada de reprodução começa em março, durante o outono, quando a camada de gelo está grossa o suficiente para suportar o peso da colônia.

Após pôr apenas um ovo, as fêmeas deixam a colônia para caçarem e armazenarem gordura, para poderem alimentar os filhotes após o nascimento. Os machos ficam na colônia, praticamente imóveis, chocando o ovo em cima dos pés. Pouco gelo marinho durante este período pode reduzir as áreas de reprodução e de presas. Por outro lado, muito gelo marinho significa viagens mais longas para os adultos, acarretando menos alimentação para os filhotes.

— Os pinguins jovens ficam no mar por cinco ou seis anos antes de retornarem para as colônias para acasalar — afirmou Stephanie Jenouvrier, coautora do estudo. — Nós precisamos entender melhor a dinâmica do que acontece durante o período em que os jovens estão longe da colônia. Compreender como eles irão responder às mudanças no ambiente em termos de reprodução e outros estágios da vida, para podermos prever as respostas da população e a persistência da espécie frente às mudanças climáticas futuras.

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