Presos em espaços pequenos, recebendo alimentação sem o menor esforço, lagartos e cobras mantidos em cativeiro acabam ficando sedentários e obesos. Para lidar com a questão, o Zoológico de Melbourne, na Austrália, decidiu colocar os répteis para malhar criando a primeira “academia” do mundo para esses animais.

— Muitos répteis são predadores de emboscada — afirmou o tratador Alex Mitchell, em entrevista ao site IFLScience. — Se eles não precisam perseguir suas presas, se tornam sedentários e propensos à obesidade.

Os primeiros testes começaram com um balde, onde os animais eram colocados para nadar, mas os protótipos foram evoluindo até o modelo atual: um taque parecido com uma banheira de hidromassagem com “temperatura controlada, água filtrada, que permite aos tratadores controlar o fluxo de água”.

Mas diferente das banheiras de hidromassagem, o tanque do Zoológico de Melbourne jorra jatos de água em apenas uma direção, formando uma corrente. A lógica é parecida com a de esteiras ergométricas, forçando os animais a nadarem num espaço reduzido.

‘Hidroginástica para répteis’

Como a força da corrente é ajustável, o início é suave. Assim que os animais se acostumam, o fluxo é aumentado. Contudo, contou Mitchell, “os animais não vão apenas contra a corrente, às vezes eles nadam com ela. É uma oportunidade para brincar”. Segundo o tratador, é “algo como hidroginástica para répteis”.

A maioria das espécies se divertem por quatro a cinco minutos antes de demonstrarem sinais de cansaço. Então, são retirados pelos tratadores e retornam para seus habitats. Mas algumas, como a cascavel Crotalus adamanteus, preferem sessões demoradas. Os tratadores aproveitam os exercícios na água como um banho, necessário, mas raro no espaço de cativeiro.

À primeira vista, a prática parece apenas uma distração para os animais, mas os exercícios são importantes para a conservação de algumas espécies. Entre os répteis que se beneficiam da “academia” está, por exemplo, a Cuora trifasciata, conhecida popularmente como tartaruga de moedas de ouro.

Por ser usada pela medicina chinesa, a espécie está listada como criticamente ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza. Isso significa que todos os indivíduos em cativeiro precisam participar de programas de reprodução, e a boa forma física é essencial para isso.

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