Segundo na lista dos mais ricos do mundo, com fortuna estimada em US$ 95,8 bilhões pela revista “Forbes”, Bill Gates pode ser considerado um bom investidor. Mesmo tendo deixado há anos o controle da Microsoft, continua multiplicando seu capital. Em artigo publicado no jornal “Wall Street Journal”, o magnata da tecnologia revelou o mais rentável investimento que fez na vida: a compra e distribuição de medicamentos.

No texto, Gates explica que o mercado de tecnologia tem “altos e baixos, mas majoritariamente baixos”. De todos os investimentos que fez no setor, calcula que apenas 10% deram certo — mas deram muito certo —, enquanto os 90% restantes foram perdidos. Após deixar a carreira de empreendedor para se tornar filantropo, imaginou que as taxas de sucesso seriam semelhantes, mas não foi o que aconteceu.

Ao longo dos últimos 20 anos, a Fundação Bill e Melinda Gates investiu alto em projetos de combate a fome e a doenças. “Descobrir uma nova vacina, eu imaginei, seria tão difícil como descobrir o próximo unicórnio” (termo usado na indústria de tecnologia para designar start-ups que alcançam US$ 1 bilhão em valor de mercado).

Deixando a busca por uma vacina e as start-ups de lado, Gates descobriu que o melhor investimento a ser feito é no financiamento e entrega de medicamentos. Segundo o bilionário, grandes descobertas, como o desenvolvimento de um novo medicamento, chamam atenção, mas não é suficiente.

“Elas precisam sair dos laboratórios e chegar a hospitais, clínicas e casas onde as pessoas precisam”, afirmou Gates. “Comprar suprimentos médicos e levá-los até onde eles são necessários pode parecer fácil, até mesmo chato, mas não é. Salvar vidas em países em desenvolvimento muitas vezes significa levar medicamentos para vilas remotas ou zonas de guerra”.

“Os US$ 10 bilhões que demos para fornecer vacinas, medicamentos e mosquiteiros em países em desenvolvimento criaram valor estimado em US$ 200 bilhões”

Bill Gates

E o retorno financeiro desse esforço é colossal. Nas duas últimas décadas, a fundação Gates investiu US$ 10 bilhões em organizações que prestam este serviço, incluindo as três maiores: a GAVI Alliance, o Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária e a Iniciativa Global para Erradicação da Pólio (GPEI, na sigla em inglês).

Mosquiteiros tratados com inseticida ajudam a combater a malária / Gates Notes

Até o surgimento dessas três organizações, criadas nas últimas décadas, os medicamentos e vacinas já existiam, mas não chegavam à população mais pobre. A Gavi imunizou 100 milhões de crianças no ano passado; o Fundo Global distribuiu 200 milhões de mosquiteiros com inseticida para conter a malária; e a poliomielite está praticamente erradicada do planeta.

Segundo cálculos do think tank Copenhagen Consensus Center, se Gates tivesse investido os US$ 10 bilhões há 18 anos no índice S&P500 (que reúne os 500 ativos mais valorizados da Bolsa de Nova York), teria um retorno de US$ 12 bilhões, com o ajuste da inflação, ou US$ 17 bilhões contando dividendos.

Se o investimento de US$ 10 bilhões fosse em projetos de energia nos países em desenvolvimento, o retorno teria sido de US$ 150 bilhões. Em infraestrutura, de US$ 170 bilhões.

“O investimento em instituições globais de saúde, entretanto, excederam esses retornos: os US$ 10 bilhões que demos para fornecer vacinas, medicamentos, mosquiteiros e outros suprimentos em países em desenvolvimento criaram valor estimado em US$ 200 bilhões em benefícios econômicos e sociais”, afirma Gates.

Futuro dos programas em risco

Contudo, o magnata filantropo alerta que esses esforços estão em risco. Os US$ 10 bilhões investidos por sua fundação respondem por menos de 10% do orçamento dessas organizações. A maior parte das doações vem de governos, mas administrações populistas de extrema direita, como Donald Trump, nos EUA, questionam os resultados dessas ações e ameaçam cortes.

“Instituições como Gavi, Fundo Global e GPEI são apostas certeiras para aliviar o sofrimento e salvar vidas”, pontuou Gates. “Eles são os melhores investimentos que Melinda e eu fizemos nos últimos 20 anos, e estão entre os melhores investimentos que o mundo pode fazer nos anos pela frente”.

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