Tumba de Tutancâmon é reaberta após restauração

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Wall paintings conservation work being conducted in the burial chamber of the tomb in the spring 2016.

Após quase uma década de trabalhos, a restauração da tumba de Tutancâmon, no Egito, acaba de ser concluída. O projeto foi realizado pelo Getty Conservation Institute, em parceria com o Ministério de Antiguidades egípcio, com pesquisas e melhorias na infraestrutura focadas na conservação e na criação de um plano sustentável de gerenciamento do espaço.

— Este projeto expandiu o nosso entendimento sobre um dos locais mais conhecidos da antiguidade — afirmou Tim Whalen, diretor do Getty Conservation Institute. — Também representa uma parceria colaborativa para a criação de um modelo prático que pode ser compartilhado com profissionais, em outros locais, ao redor do mundo.

Na época em que foi descoberta pelo arqueólogo Howard Carter, em 1922, a tumba de Tutancâmon provocou um frenesi na imprensa, aumentando o interesse do mundo sobre o Antigo Egito. A remoção do tesouro guardado levou dez anos para ser catalogado e armazenado e, a partir de então, a tumba se tornou uma das maiores atrações daquele país.

A tumba ainda mantém alguns objetos originais, incluindo a múmia de Tutancâmon, que fica em exibição dentro de uma caixa selada livre de oxigênio. O sarcófago de quartzo, com sua tampa de granito, é cercado por murais nas paredes que trataram a vida e a morte do antigo faraó.

Mas o grande fluxo de turistas no espaço apertado da tumba levantou preocupações das autoridades egípcias sobre a preservação do local. A umidade e o dióxido de carbono gerado pelos visitantes promoviam o crescimento de micróbios, que estavam danificando as pinturas nas paredes.

A múmia do faraó Tutancâmon está em exibição em sua tumba no Egito/REUTERS/Mohamed Abd El Ghany

]Outro problema eram os danos físicos, com arranhões e a abrasão em áreas onde os visitantes tinham acesso, além de danos provocados acidentalmente por equipes de filmagem. A poeira carregada pelos visitantes formava uma camada cinza nas paredes, que aumentavam a necessidade de limpezas e o consequente risco de mais danos.

Com essas preocupações em mente, as autoridades egípcias iniciaram o programa de restauração com a equipe do Getty Conservation Institute, que já tinha experiência em projeto semelhante na tumba da rainha Nefertari e no plano de conservação e gerenciamento do Vale das Rainhas.

— A conservação e a preservação são importantes para o futuro para que esse patrimônio e essa grande civilização vivam para sempre — afirmou o egiptólogo Zahi Hawass, envolvido no projeto.

A infraestrutura para os visitantes também foi renovada / J. Paul Getty Trust

Este foi o primeiro grande projeto de restauração desde a descoberta feita por Carter. Os especialistas encontraram as pinturas nas paredes em condição relativamente estável, com alguma descamação e perda de tinha, além de danos provocados por visitantes. As pinturas foram restauradas pela remoção da poeira e das camadas de tratamentos anteriores, realizados sem o cuidado necessário.

Os trabalhos mostraram que manchas marrons nas pinturas, formadas por colônias de micro-organismos, já estavam lá quando a tumba foi descoberta. Comparações com fotografias da época revelaram que as manchas não aumentaram. Mesmo assim, exames químicos e de DNA foram realizados e confirmaram a origem microbiana, mas já mortos. Como as manchas já haviam penetrado na pintura, elas não foram removidas.

Além da restauração, o projeto criou nova infraestrutura para os visitantes, com calçadas e plataformas de observação, sinalização, iluminação, filtragem do ar e sistema de ventilação para mitigar a umidade e o excesso de dióxido de carbono. Novas barreiras foram instaladas para evitar que as paredes sejam novamente danificadas.

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