Com a instalação de câmeras e o uso de carcaças de peixe como iscas, pesquisadores da Universidade da Geórgia puderam constatar que, dentro da Zona de Exclusão de Chernobyl, a vida selvagem é abundante e diversificada. Mesmo com a radiação, a ausência de humanos abriu caminho para animais e a vegetação ocuparem os quase 2,6 mil quilômetros quadrados ao redor da antiga usina na Ucrânia.

Ao longo de um mês, os pesquisadores mantiveram câmeras com sensores de movimento mirando carcaças de peixes deixadas nas margens de rios e canais dentro da Zona de Exclusão. No período, foram fotografadas dez espécies de mamíferos e cinco de pássaros.

— Nós vimos evidências da diversidade da vida selvagem na Zona de Exclusão de Chernobyl em pesquisas anteriores, mas esta é a primeira vez que vimos águias, visons e lontras com nossas câmeras — afirmou James Beasley, um dos líderes do estudo.

Os resultados foram publicados nesta semana no periódico “Food Webs”. Estudos anteriores já haviam mostrado a presença em abundância de lobos cinzentos na região, um grande predador, indicando que o ecossistema estava saudável. Esta nova pesquisa fornece evidências de que a fauna aquática está fornecendo recursos nutritivos para animais terrestres e semiaquáticos.

Peter Schlichting, líder das pesquisas, explica que as carcaças foram colocadas nas margens do Rio Pripyat e em canais que eram usados para irrigação, imitando o fenômeno natural que acontece com o transporte de peixes mortos pelas correntes.

Entre outubro e novembro de 2016, a equipe realizou 83 testes, sendo que 16 foram descartados por falhas nas câmeras ou cheias dos rios, que inutilizaram as carcaças. Foram usadas como iscas carpas nativas da região, compradas frescas em peixarias próximas.

As câmeras flagraram 15 espécies de mamíferos e pássaros / Universidade da Geórgia

Dos 67 testes válidos, as iscas foram consumidas em menos de uma semana. Em 55 casos, os pesquisadores conseguiram determinar quais animais consumiram os peixes.

As câmeras flagraram três espécies de ratos (Apodemus agrarius, Apodemus flavicollis e Micromys minutus), a doninha-anã (Mustela nivalis), o vison-americano (Neovison vison), a lontra-europeia (Lutra lutra), a marta (Martes martes), o cão-guaxinim (Nyctereutes procyonoides), a raposa-vermelha (Vulpes vulpes), o lobo-cinzento (Canis lupus), o gaio-comum (Garrulus gladarius), o pega-rabuda (Pica pica), o corvo (Corvus corax), a coruja aluco (Strix aluco) e a águia-rabalva (Haliarrtus albicilla).

— Nós tendemos a pensar que peixes e outros animais aquáticos ficam no ecossistema aquático. Esta pesquisa nos mostra que uma proporção razoável de peixes mortos vai parar nas margens, onde existem um grupo inteiro de espécies terrestres e semiaquáticas que transferem aqueles nutrientes para o ambiente terrestre — afirmou Schlichting. rity5

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